O Tênis Feminino

Como e por quê as meninas começam a jogar tênis ?
R.: Os principais motivos de uma menina começar a jogar tênis é incentivada pelos pais ou familiares que já jogam tênis ou praticam algum outro esporte em um clube e induzam a criança a fazer algum esporte como o tênis por exemplo. Também começam a jogar incentivadas pelos amigos e mais tarde também pode ser para se manterem em forma, não engordar, para fazer amizades e até mesmo viajar.

Quais as dificuldades quando começam a competir ?
R.: Para as meninas é um pouco mais difícil essa fase do que para os meninos, pois os garotos já são mais competitivos por natureza, enquanto que as meninas não. São mais interrogativas e é preciso de uma boa comunicação entre o professor e as alunas para que lhes dê a motivação para tal competição. Também encontram dificuldades quando começam a viajar, pois sendo uma mulher os pais geralmente são mais cautelosos com as companhias e têm medo de deixar essas meninas viajarem sozinhas, desacompanhadas dos pais, com seus respectivos técnicos e treinadores.

Qual a importância de uma professora ou uma técnica mulher nas escolas de tênis?
R.: Na maioria dos casos, as meninas têm maior afinidade com professoras que com professores, tanto quando são crianças ou quando se tornam maiores. Isso é importante porque uma mulher entende melhor a outra mulher pois são mais sensíveis. Muitas vezes sentem coisas que os homens não sentem como insegurança ou ciúmes para com o professor(a). Também é importante a forma diferente de vestir da professora com o professor, pois ai entra a vaidade feminina e meninas vendo professoras com roupas femininas apropriadas para jogar tênis se motivam mais. Para as meninas é muito importante se vestir bem.
Os pais também têm medo de que sua filha se torne muito masculina tendo contato só com meninos e também muitas vezes escolhem uma outra atividade mais feminina como ballet ou ginástica. Também quando começam a viajar para torneios, muitos pais preferem que viajem com professoras ao invés de professores.

Qual a diferença no treinamento ?
R.: Diferença técnica entre o ensinamento dado a uma menina ou a um menino não deve haver. Deve-se ensinar a garota igual como ao garoto todos os golpes. Quanto maior a diversificação transmitida pelo professor(a), maior numero de armas ela terá para quando entrar na competição. O treinamento tático é que muda um pouco devido ao tipo de jogo que as mulheres têm. As jogadoras trocam mais bolas, não têm um saque tão forte, são poucas as mulheres que vão a rede, então o treinamento deve ser mais baseado nesses aspectos.

Quais as dificuldades quando ingressam no profissionalismo ?
R.: Todos sabem que aqui na América do Sul há poucos torneios profissionais femininos, pouco incentivo e pouco patrocínio principalmente para o Tênis Feminino. Assim sendo as meninas têm que sair da América do Sul para competir e isso já é um grande obstáculo, pois têm que viajar sozinhas. Os homens são muito mais unidos do que as mulheres. Os homens conseguem formar um grupo entre eles e começar a viajar pois se ajudam mais uns aos outros. Já no caso das mulheres isso é diferente. Há uma concorrência muito grande entre elas não só dentro como fora das quadras. Não há uma união e muito facilmente há intrigas em qualquer grupo de mulheres. Para isso seria necessário que elas viajassem em grupos sempre com um técnico(a) que as acompanhassem para que as unissem, mas como antes mencionado as condições financeiras para pagarem um acompanhante são difíceis e isso torna cada vez mais difícil o Tênis Feminino ter êxito aqui na América do Sul.

Por que é tão fácil que uma tenista Sulamericana pare de jogar tênis ?
R.: É muito fácil uma tenista Sulamericana deixar de jogar tênis por vários aspectos: um deles é por falta de torneios, falta de patrocínio e incentivo, e também pelo fato das jogadoras daqui terem que viajar desacompanhadas, um grande período na Europa ou América do Norte sem retornarem a casa, já que devem aproveitar o custo da passagem para jogar o maior número de torneios possíveis. Também pela nossa cultura aqui na América do Sul, meninas com 15,16 anos começam a freqüentar festa, ter namorados, ir à praia, e se deparam em ter que abdicar de muitas coisas que para nossa sociedade são comuns, pois para continuarem a jogar tênis totalmente focadas. Enquanto que em outros países, principalmente no Leste Europeu onde a quantidade de jogadoras é muito grande, as meninas de 15,16 anos não têm como outra opção jogar tênis para seu divertimento.

Queixam-se da pressão dos familiares, cobrança de resultados, ameaças ?
R.: Há muitos casos que os pais pressionam muito os jogadores, pois vêem em seus filhos uma solução para todos seus problemas econômicos no futuro e também como alvo de se aparecer para amigos e de alguma maneira aparecerem como pai de alguém de sucesso, assim sendo colocam muita pressão sobre seus filhos dando palpites e muitas vezes interferindo no papel de treinador, atrapalhando seus filhos. Os pais fazem isso sem se dar conta de que ao invés de ajudar, estão atrapalhando a carreira de seus filhos, não escutando críticas de treinadores ou pessoas próximas, achando que estão fazendo o melhor para seus filhos


Entrevista concedida por Roberta Burzagli, sendo o segundo ano em que é convocada para o Cicuito Cosat nas categorias 14 e 16 anos (masculino e femino) como Delegada/Técnica da equipe brasileira, podendo afirmar que é um circuito muito duro, onde nossos jogadores encontram muitas dificuldades não só com o nível dos jogos, já que neste circuito os melhores jogadores juvenis da América do Sul estão presentes, mas também com a organização de cada torneio, transporte e alimentação. É muito difícil para um jogador brasileiro nesta idade viajar sozinho estando fora de seu país. Alguns torneios na América do Sul não apresentam a mesma infraestrutura que os nossos torneios juvenis, onde aqui no Brasil essa infraestrutura é superior aos torneios do Circuito Cosat.

Com sua experiência no circuito, Roberta Burzagli consegue dar estrutura completa a todos os jogadores brasileiros que disputaram as etapas, não só dentro da quadra como treinos e jogos, como também fora da quadra, vendo problemas com transporte, hospedagem, remarcação de passagens aéreas e alimentação... também com problemas que eles têm que encarar como saudade de casa, primeiros socorros, caso fiquem doentes ou se machuquem... com o objetivo de formar uma equipe, uma família.
Acho isso uma das coisas mais essenciais na vida de um tenista, ter alguém para acompanhá-lo nos torneios que está disputando, ainda mais quando se trata de ser fora do Brasil, onde as coisas são sempre mais duras do que quando se está no próprio país. Muitos ( a maioria ) por falta de patrocínio não têm essa estrutura de estarem viajando junto com seus respectivos técnicos e essa então é a minha função, ou seja, dar apoio moral, técnico e estar lá para dar a atenção e tentar solucionar qualquer problema dentro e fora da quadra. Isso é essencial a todo tenista !!! Chego a essa conclusão pois como tenista que fui, e nunca viajei acompanhada de um técnico, uma das coisas que mais senti falta foi de ter uma pessoa comigo nos torneios com a qual eu pudesse contar a qualquer momento.
Mesmo assim, acha essencial para um tenista juvenil que queira jogar um dia profissionalmente que participe do Circuito Cosat, pois este circuito mostra realmente como é o dia-a-dia daquele que quer um dia fazer do tênis a sua vida. Este circuito é praticamente uma simulação de como será sua vida se quiser ser um tenista profissional no futuro. Todos tenistas profissionais sul-americanos que estão hoje em dia no ranking profissional (Guga, Lapenti, Rios.. entre outros) disputaram quando juvenis o Circuito Cosat. Por este circuito passam os melhores jogadores juvenis sul-americanos !!!



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