Márcia Cury

Márcia Cury, uma das mais importantes tenistas brasileiras, nos brinda com este artigo, e nos faz entender um pouco, até porque o Tênis sempre nos permite novos entendimentos e aprendizagens, mas o fascínio que ele exerce sobre os seus praticantes. O grande prazer de jogá-lo. Como ela nos disse: "estar ligada ao tênis, jogar tênis, falar de tênis me traz sempre uma grande satisfação".

HISTÓRICO
E... voltando no tempo, me lembro como se fosse hoje. Aos 9 anos, achei num armário, em casa, uma raquete. Presente do meu primo Carlos Eduardo Cury (também tenista) ao meu irmão, que na verdade não tinha se importado muito com ela. Até então os esportes articulados pela família eram natação e judô.
Eu a empunhei, e na tentativa exaustiva de acertar algumas bolas contra a parede da área, acabei por quebrar alguns vasos e vidros e, antes que o estrago fosse maior, meu pai, sempre meu grande e maior incentivador, me levou para ter as primeiras aulas de tênis, o que aconteceu no Bauru Tênis Clube, com o Sr. Cláudio Sacomandi.
E eu... me apaixonei. Em menos de uma semana meu irmão foi atrás e então começamos uma nova etapa de nossas vidas. Passava todo meu tempo livre atrás de uma oportunidade para jogar, e claro, jogava sempre com os meninos, pois eram poucas as garotas. Mas sonhando sempre, com o momento de competir.
Meu primeiro torneio importante foi em 1.971 em Joinvile, e para surpresa de alguns (digo alguns, porque tinha UM que sempre acreditava - meu tão amado pai - Alexandre Cury), cheguei às semi-finais, ficando com o 3. lugar em simples e o vice campeonato em duplas. Minha parceira neste torneio foi a querida conterrânea Regina Belgo, filha do estimado professor Belgo..
E aí... meu entusiasmo, se é que isto era possível... aumentou.
Em 72 , no meu primeiro ano da categoria 13 a 15 ,tive a grande satisfação de levantar o campeonato Brasileiro de duplas mistas ao lado do meu irmão - Alexandre Cury Júnior (Curinho). Foi inesquecível.
Em 73, conquistei o tão almejado campeonato Brasileiro, vencendo em dois sets a tenista Bernadete Mendonça, até então detentora do título. E, então, passei a compor a seleção Brasileira...
Conquistei de 73 a 76 vários títulos nos Campeonatos Brasileiros, Sul Americanos, incluindo o Banana Bowl., famoso deste então; Integração Nacional, e outros. Disputei por várias vezes os jogos regionais e jogos abertos.
Aliás, na minha época era muito complicado sair para disputar, principalmente sendo uma menina, e do interior; de forma que basicamente me preparava o ano todo para o Campeonato Brasileiro, que se bem sucedida, me daria o passaporte para o Sul Americano e o Banana Bowl.
Em 75,ao lado das tenistas Sandra Sabagh , Denise Lopes e Andréia Maister, fui campeã sul americana por equipes, vencendo na final a Argentina.
Vários títulos de duplas mistas e duplas femininas nos campeonatos Brasileiros e Sul Americanos, e outros tantos estaduais e inter-estaduais... que aliás, detém até hoje, representados por medalhas e troféus (guardados carinhosamente por minha mãe) , um espaço muito especial na minha casa.
Em 76, disputei meu último torneio como juvenil.
Fui fazer faculdade (de Direito) , comecei a dar aulas, na Sociedade Hípica de Bauru, e ministrando clínicas em várias cidades da região, como Lins, Promissão, Penápolis e Botucatu.
Em 85 inaugurava minha primeira academia - A Saque Academia de Tênis de Bauru, contando desta feita com o apoio de um outro incentivador, meu marido e namorado desde os 15 anos, César Monteiro, onde tive a oportunidade de vivenciar o tênis num sentido mais amplo. Lá, eu fui Técnica, Promotora de eventos, psicóloga de tenistas e de pais de tenistas. Que oportunidade, como eu cresci.
Vários foram os eventos realizados pela Saque, a nível regional, estadual e nacional, amador e profissional. E quantos atletas tive a oportunidade de treinar, e aprender!!!
Em 89 inaugurava a segunda academia - a Saque Academia de Tênis de Araçatuba, que para minha grande satisfação continua em plena atividade e sob o comando da tenista Camila Piernas Andorfato desenvolvendo um excelente trabalho com atletas.
A Saque de Bauru teve seus trabalhos encerrados em 94.

Em 89, quando completei 30 anos resolvi disputar um torneio em Curitiba, e fui a campeã, e aí..... o entusiasmo ressurgiu. Logo após, sofri o rompimento dos ligamentos do joelho direito, o que me afastou do objetivo de voltar a disputar.
Mas me recuperei, e com o auxílio de uma joelheira articulada voltei ao prazer de estar dentro de uma quadra. Aí..., para disputar a categoria Damas tinha que esperar completar 35 anos... E, em 94... 21 anos depois do meu mais importante título (campeã Brasileira de simples), o recuperei na cidade de Novo Hamburgo. Foi uma das maiores emoções que senti. Num jogo muito difícil onde havia perdido o primeiro set por 6/0, retomei o comando do jogo chegando aos 4 a 1 no 3º set, quando as câimbras apareceram, para na verdade tornar a vitória ainda mais valorizada. E venci, no Tie break, do terceiro set, depois de mais de 3 horas de jogo.
Na seqüência, e agora acreditando mais no meu joelho (e também na joelheria), disputei vários VIPS (São Paulo - onde fiquei com o vice campeonato), perdendo para a grande mestra Patrícia Medrado, e Porto Alegre onde parei nas semi-finais; no torneio mundial em 97, realizado na Alemanha, em Bad Newenar, onde parei nas quartas de final. Neste ano obtive a 10ª posição no ranking mundial, na categoria Damas 35 anos.
Um grande resultado no decorrer destes torneios foi a vitória sobre a argentina Beatriz Villaverde (contemporânea dos torneios juvenis) e que ocupava nesta época (1.995) o 2º posto no ranking mundial.
Depois, um período longe dos torneios novamente e agora, como recomeçar sempre me fez muito bem, no último dezembro venci o campeonato estadual na categoria 40 anos feminino, realizado no clube Espéria.
O mais interessante do tênis é que o tempo passa, mas as emoções só se multiplicam. Minha adversária na final do Estadual - Flora Zacharias foi a tenista responsável em me desclassificar no último ano (1.976) em que participei de Campeonatos juvenis.
Para este ano, minha programação é disputar o Vip de Curitiva, Vip de São Paulo; Camp. Sul Americano por equipes e O Campeonato Mundial. E que Deus me ajude, simplesmente, estar inteira para esta imprescindível diversão.

COMENTÁRIOS
Poderíamos nos perder por várias horas discutindo os diversos ângulos colocados em pauta, e claro, espero que tenhamos tempo para detalhar cada um deles, visto que são sobremaneira minuciosos e envolvem análises mais profundas.
De pronto, acho relevante comentar um aspecto que envolve o tênis de uma forma mais ampla, atingindo o TENISTA PROPRIAMENTE DITO, seja ele infantil, juvenil ou adulto; e sobre isto, não sei se estou com a razão, mas além de ter vivenciado pessoalmente estas três fases, pude compartilhar com muitas, muitas pessoas crianças, muitas pessoas adolescentes, e muitas pessoas adultas, todas elas imbuídas da mesma busca..
Todas, e disso não tenho dúvida alguma, são pessoas que lidam particularmente com o seu SER INDIVIDUAL. E no conhecer deste SER INVIDIVUAL está a chave do sucessso.
Claro que existem tecnologias modernas de treinamento técnico, condicionamento físico e mental, sem falar no aspecto nutricional. Mas, existe uma chave maior. E um tenista de sucesso já a conhece. É O PRAZER.
O prazer de transpirar e suportar as dores musculares como diversão; o prazer direcionado para a meta principal quando se torna necessário trocar as brincadeiras, as festinhas e outras coisas tão gostosas desta vida, para simplesmente, poupar o corpo, torná-lo mais descansado e forte. O prazer que te faz retornar aos treinos depois de um literal (fiasco) no torneio para o qual você tanto se empenhou. O mesmo prazer que te impulsiona e comove a voltar aos torneios depois de afastado durante mais de duas décadas.
O TÊNIS com 9, com 16 ,com 40, e até aí eu posso afiançar, É UM GRANDE BEM.

MÁRCIA CURY


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